terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

TÁ MUITO CHATA!

Saiba quando os alunos não gostam da aula e veja como torná-la mais atraente.

A cena se repete e é comum nas salas de aula: o professor entra, faz a chamada e fica horas falando na frente dos estudantes, sem nem mesmo reparar que os alunos mal ouvem o que ele está dizendo. O educador, muitas vezes, nem imagina que o método repetitivo e a falta de novas formas de aprendizado acabam se tornando um problema não só para ele, mas, principalmente, para o aluno, que desinteressado, tem dificuldades em aprender a matéria e tirar boas notas.
“Em muitos casos, o motivo da aula ser chata não é a disciplina, mas sim o próprio mestre. Entediado, o jovem não consegue se concentrar na matéria”, explica o professor Marcelo Peruzzo, que é mestre em Gestão de Negócios e realizou uma pesquisa entre os dias 1º e 20 de janeiro com 529 estudantes do Brasil sobre como os alunos vêem osprofessores.
A solução é usar a criatividade em sala de aula e buscar interagir o quanto mais com os alunos. “O professor que não se atualizar vai ficar fora do mercado. Isso porque, as escolas estão cada vez mais pedindo para que os alunos avaliem o professor”, acredita o especialista.
Para a estudante Ana Cléia Carneiro de Almeida, de 19 anos, um dos principais erros dos professores é a repetição. “Eles não mudam o método, não trazem nada de novo. É sempre muito cansativo”, reclama a jovem, que acabou de completar o ensino médio. Ela lembra de um professor de matemática que explicava o tema da aula, mas a grande maioria não entendia. “Ele dizia para a gente ir à mesa dele e perguntar, mas quando a gente chegava lá ficava irritado, dizia que não ia falar a mesma coisa de novo”, relata.
Outro problema que Ana Cléia destaca é a prepotência. “É muito ruim quando o professor está errado e não admite.” A jovem conta que um docente, certa vez, passou um exercício com resultado incorreto e os alunos perceberam. “A gente falou, mas ele dizia que tava certo, insistia, sabe? Depois de um tempo percebeu o que tinha acontecido, mas mesmo assim não admitia, dizia que estava testando a gente.”
A pesquisa do professor Peruzzo confirma: “O principal erro do educador é a arrogância, que está entre os principais problemas apontados na pesquisa pelos alunos”, afirma. “O professor, muitas vezes, para se impor, quer mostrar que sabe tudo e quando não tem a resposta acaba teimando com uma posição errada.” Para o especialista, a solução é a paciência. “Com calma, ele consegue chegar mais próximo do aluno.”
Os pecados
No estudo, foram listados os maiores pecados dos professores. Depois da arrogância, vem o professor sabe-tudo, a impaciência dele, desmotivação, autoritarismo, desinteresse, prepotência, o mestre teórico, preguiça e falta de criatividade. “Todos são muito semelhantes e mostram que na maioria dos casos o grande problema é relacionado à falta de comunicação”, analisa Peruzzo.
Diante desses problemas, os alunos acabam descontraindo. “Tenho um professor que quando vai passar a lição de casa ninguém presta atenção. Ele fala baixinho, parece até mesmo que está falando sozinho, sabe? Daí a classe toda dá risada, mas ele não entende o que está acontecendo”, conta Dabbie Olivieri, de 15 anos, aluna do 2° ano do ensino médio.
No entanto, os estudantes também sabem valorizar o docente que se mostra empenhado. “Não gostava de biologia, mas tive um professor que explicava de um jeito tão legal que comecei a me interessar. Ele prendia a atenção e despertava o interesse”, diz Dabbie. Além disso, ela conta que este educador dava na seqüência uma aula e meia, mas que estava sempre preocupado em não torná-la cansativa. “Ele contava histórias sobre a biologia, explicava o porque de tudo”, lembra.
Já na opinião de Talita Santos Martins, de 15 anos, o problema não está no professor, mas sim na disciplina. “Se não gosto da matéria daí ela fica chata.” Mas admite que um professor desinteressado pode piorar a situação. “A disciplina já é cansativa e ele não explica direito. Alguns são confusos, apenas passam o texto e não explicam nada. Parece até que nem sabem do que estão falando”, reclama.
Para Talita, o professor tem que ser interessado: “Deve mostrar que está por dentro, para passar confiança para a gente. Também precisa ser dinâmico, pode trazer um jornal para a sala de aula, explicar as notícias e o que elas mudam na nossa vida, isso é legal.” E a jovem admite que já foi reclamar de professores para a diretoria muitas vezes. “Precisamos falar, pelo menos para ver se melhora.”
A estudante Francisca Elaine Costa da Silva, de 17 anos, concorda. “Não dá vontade de assistir aula de professor que não gosta do que faz, não tem vontade e não quer ensinar.” Pior ainda, relata que na rede pública de ensino há até mesmo docente que comparece apenas para assinar o ponto. “Já teve casos em que o professor apareceu, mas ficou conversando com outros professores na diretoria, nem veio até a sala”, reclama.
Virtudes
Além dos defeitos, a pesquisa do professor Peruzzo também identificou as virtudes dos professores que deixam os alunos mais satisfeitos. No topo das preferências está o domínio do conteúdo trabalhado, com 16,8% dos votos. Na segunda posição aparecem empatadas a paciência e a humildade, cada uma mencionada por 9,8% do público da pesquisa.
Na seqüência, destacada por 9,1% dos participantes do estudo, consta a capacidade de comunicação. Muitos dos que citaram esse item o associaram à qualidade dos materiais de apoio utilizados pelos professores e a excelência na oratória – ferramentas que podem facilitar a compreensão dos alunos, tornando a exposição em sala mais interessante.
Para o especialista, os resultados alcançados com a pesquisa revelam o desejo dos estudantes por uma relação mais próxima com seus mestres. “Se o professor não for empático com seus alunos, está fadado ao fracasso.”
Motivos e soluções
Veja os principais problemas apontados pelos alunos na pesquisa realizada por Marcelo Peruzzo.
1 – Arrogância: falta de humildade pode ser um problema grave. A solução é ter paciência com os alunos para que consiga chegar mais próximo deles.
2 – Professor sabe-tudo: aquele que fala, fala e não escuta. O professor precisa perceber que a experiência do aluno também pode agregar conhecimento à aula. O ideal é ser mais humilde. “Há muitos professores que têm conteúdo, mas não sabem a forma de passá-lo. Já aqueles que têm mais articulação em aula e menos conhecimentos acabam ensinando melhor”, diz Peruzzo.
3 – Impaciência: não admite que mude uma vírgula do que programou para a aula. Se tiver amor pelo que faz, vai conseguir compartilhar melhor.
4 – Desmotivação: por motivos variados o professor não tem interesse pelas aulas. É importante lembrar da importância de transmitir o conhecimento e tentar despertar a alegria em lecionar.
5 – Autoritarismo: acha que é o grande líder, impõe o conhecimento e o respeito. Neste caso, o professor deve respeitar o aluno e mudar esse posicionamento.
6 – Desinteresse: precisa de motivação e, mais uma vez, despertar o amor pelo que faz. “Deve olhar para o aluno e lembrar que, por mais que essa seja a enésima vez que diz aquilo, esta é a primeira em que ele está ouvindo”, aconselha o professor.
7 – Prepotência: professor sem carisma. Neste caso, ele acaba fechando o canal com o aluno porque sempre tem razão. É preciso ter humildade e paciência.
8 – Professor teórico: é aquele que ignora a prática. É possível fazer uma aula atrativa trazendo o mundo real para a sala de aula.
Fonte. Revista Profissão Mestre

Como lidar com alunos introvertidos na EBD







A cultura ocidental geralmente exalta e valoriza personalidades e temperamentos extrovertidos, e trata com desprezo e descaso os que possuem uma calma emocional acima da média. Os falantes, risonhos e inquietos são mais percebidos e dignos de maior atenção do que os silenciosos, pensantes e tranquilos. O comportamento introvertido (voltado para dentro) pode ser inato ou adquirido.
Um grande erro de alguns professores de ED ao tratar com alunos introvertidos, é o de achar que não possuem potencialidades, capacidades, habilidades e competências para crescerem em conhecimento, como pessoas, no serviço cristão e nos relacionamentos. O professor que pensa e age fundamentado em estereótipos, tendem a excluir os introvertidos (já não bastasse as características próprias deste alunos) da participação nas aulas, evitam o direcionamento de perguntas para os mesmos, os privam de oportunidades para exporem suas idéias, e não se interessam em promover o mínimo de interação e socialização dos tais com os demais alunos.
Outros professores chegam a pensar que o aluno introvertido é um “eterno” desatencioso e desinteressado pelas aulas. Um indiferente crônico.
A experiência nos revela que muitos alunos introvertidos se tornaram excelentes professores de ED, dirigentes, superintendentes, ou ocuparam outras funções importantes no serviço cristãos e na igreja. Alguns, inclusive, chegaram ao ministério pastoral.
Infelizmente, na maioria dos casos, os valores e potenciais de muitos alunos introvertidos só passam a ser conhecidos em situações de “crise”, em casos emergenciais, onde a única ou última alternativa para a realizaçao do trabalho são eles.
É necessário estar alerta para o fato de que, em hipótese alguma, os introvertidos devem ser forçados ou persuadidos a rejeitarem a sua própria natureza, pois isto pode por em risco o seu crescimento pessoal e o bem estar psicológico.
Vale lembrar também, que tanto introversão como extroversão, podem se problemas, na medida em que tais comportamentos são vivenciados ao extremo, promovendo males pessoais e sociais. O equilíbrio é sempre o caminho mais saudável.
Uma nova postura por parte dos professores se requer no trato com os alunos de temperamento introvertido. Precisamos olhá-los sem preconceitos e discriminações. É preciso estar atento ao coração (aspectos invisíveis e imaterias do ser), e não supervalorizar as aparências (1 Sm 16.7).
É necessário que o professor de ED peça sabedoria a Deus (Tg 1.5), como também, estude os aspectos psicológicos da personalidade humana, para atuar no sentido de ser um canal de bençãos e da promoção do crescimento integral de todos.
Fonte: Altair Germano

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

RESPONSABILIDADES DO PROFESSOR



 My Teacher Rocks O professor deve estar preparado para a aula. Além de estudar a lição e orar a Deus para que Ele o use neste ministério, o professor deve pensar na sua didática, de maneira a renová-la a cada aula. As crianças percebem se a pessoa que as leva a conhecer tem vínculo afetivo com o grupo. Portanto, o professor deve conquistar "afetivamente" as crianças com as quais trabalha. Deve ser um porto no qual as crianças possam parar com segurança e confiar na sua proteção. O professor não deve acreditar que as crianças não aprendem porque simplesmente não querem aprender. Mas deve levantar todos os motivos que possam afetar a aprendizagem:

problemas familiares;

a indisciplina;

a forma da apresentação da aula que não pode não estar interessando o aluno, etc

 School Uniform O inimigo pode usar várias estratégias para impedir que a sua aula "aconteça" da forma como Deus deseja, ou seja, a melhor! Deve combater o inimigo, estando devidamente preparado para a batalha.
O professor precisa saber que não é o único que sabe na relação de ensino. Deve levar em consideração o que as crianças já sabem sobre Deus. Este deve ser o seu ponto de partida para ampliar o conhecimento. O professor pode perguntar sobre as experiências que já tiveram, o que pensam e como acham que Deus pensa sobre determinado tema. Certamente ele ficará impressionado com o que vai ouvir e terá um grande campo de informações para trabalhar mais significativamente.

Editora Cristã Evangélica.
Fonte: Blog tia Le

Conheça os Seus Alunos


A Criança Estressada
"Série: Criando uma mente saudável”

Criança não nasce estressada, ou agitada, ou malcriada, ela aprende tudo isso, com seus tutores, sejam eles pais biológicos ou secundários, que são seus primeiros e mais importantes educadores, seus primeiros instrutores.

Imagine que, na fase mais importante de suas vidas, que são seus primeiros anos de condicionamento mental, quando tomam conhecimento das principais fraquezas ou virtudes dos outros, quando através da identificação, da imitação, irão ou não adotar para si tais comportamentos, na maioria das vezes, as deixamos aos cuidados de qualquer um.
E estes primeiros instrutores, que até podem ser seus pais, ou computadores, ou televisores, colocarão dentro da mente de cada uma dessas crianças, suas manias, fraquezas, suas preferências, conflitos, e talvez, virtudes. E tudo isso servirá de base, lastro para a construção de suas personalidades, seu modo peculiar de ver e viver o mundo.
Seus desejos, a raiz da maioria das frustrações humanas, também serão plantados nesse período. Ao se identificar com um personagem, que pode ser uma babá, um ídolo da moda, um educador, e tantos outros, a criança também se identifica com tudo que esteja relacionado com aquela pessoa. Isso inclui suas opiniões, seus gostos pessoais, suas crenças, seus ideais e assim por diante.
Se como adultos, já experientes, ainda julgamos os indivíduos pelas aparências, qual a reação que devemos esperar de crianças inocentes? A lógica é simples, elas se identificam com alguma coisa, porque nessa coisa, que podem ser objetos ou pessoas, buscam segurança psicológica, a sensação de que estão protegidas.
Uma criança nasce livre. Livre de crenças, de obrigações, sejam tarefas simples ou complexas. Não há vontade em suas pequenas mentes, estas, as suas vontades, nós lhes ensinaremos. Nos as ensinaremos a falar, a desejar, a preferir, a ficarem frustradas quando não conseguem obter aquilo que dizemos ser coisas importantes para elas. A importância das coisas, assim como suas reações diante de fracassos e sucessos, isso também lhes ensinamos.
O mundo não ensina a ninguém. O mundo não tem língua, nem é capaz de falar, muito menos de cuidar de uma criança. Isso é nosso papel, dos adultos, sejam pais, educadores ou qualquer outro. Como adultos, ensinamos a estas crianças como funciona nosso mundo, que logo será o mundo delas, que no futuro o será dos filhos destas, num ciclo infinito, aparentemente incapaz de ser contido, ou modificado.
Uma criança não nasce com raiva de alguma coisa, ou de alguém. Se como animal ela possui instintivamente, em si, a semente da violência, o modo como irá empregar essa violência em seus relacionamentos, este, fica por conta dos instrutores do mundo, ou seja, nós. Violência faz parte do instinto animal, serve como alicerce para a autopreservação. Faz parte do nosso medo primário, que é prudência diante dos perigos conhecidos.
Diante de um abismo, sabemos das conseqüências de uma queda, isso não é medo, é prudência, é inteligência. Ao cairmos desse mesmo abismo, segurar em suas bordas com todas as nossas forças, isso é colocar para fora todo nosso instinto animal de sobrevivência, e estaremos dispostos a tudo para lograrmos êxito. Aqui não se pensa, apenas se age, mesmo que nossos dedos sangrem, e mesmo a dor é ignorada. Isso é violência, é o despertar da força de sobrevivência interior, ou como diziam os antigos, o despertar do instinto primário.
A raiva é coisa dirigida, consciente, sabemos exatamente porque estamos com ela. É uma deformação do estado de violência primária, uma má aplicação causada pela falta de compreensão que temos desse estado natural. Ficamosinsatisfeitos com qualquer coisa, e naturalmente, logo desejamos nos livrar da causa ou causador. Assim nos foi ensinado, assim, de forma incondicional, também instruiremos aos nossos descendentes.

Ensinar as crianças que o perder faz parte do seu aprendizado diante da vida, que na verdade não se perde, só o podemos fazê-lo, se nós mesmos já compreendemos bem essa coisa. Como podemos ganhar alguma coisa se ainda não sabemos o que é perder? Imagine um mundo onde todos ganham; como saberão que são vencedores se não houvessem os perdedores, aqueles que precisam perder ao menos uma vez, para então aprenderem o que significa uma vitória?

Podemos ensinar isso às nossas crianças, o fato de que nada se perde, que o erro é imprescindível ao aprendizado. Como podemos ensinar o que é acerto se não tivermos um erro como referência? Decerto não podemos. Isso precisa ser compreendido, e explicado de uma forma clara, de modo que possam entender. Assim não mais temerão os erros, e cuidarão, naturalmente para que nunca se repitam. Usarão os mesmos como guias para seus acertos, sem frustrações, sem ressentimentos, sem raiva, sem ansiedades desnecessárias.
Autor: Jon Talber - psicopedagogo, pesquisador e escritor de temas de auto-ajuda.
O Estresse Também Pode Atingir as Crianças

Tão comum em adultos, o estresse também pode atingir as crianças. O estresse é uma arma do corpo que surge em qualquer tipo de ambiente ou situação hostil e, portanto, não tem idade para se manifestar. A melhor maneira é preveni-lo desde cedo, para que o problema não fique ainda mais grave.
Se o estresse no adulto tem a fonte nas relações de trabalho, no excesso de tarefas ou nas dificuldades familiares, na criança a origem da doença não é tão diferente, e concentra-se muitas vezes no ambiente escolar e familiar.
A competitividade e a exigência do colégio, uma briga com os colegas, a mudança de casa, escola, cidade, as brigas dos pais, a chegada de um novo irmão são apenas alguns dos possíveis motivos apontados para o estresse infantil.
Para que o estresse não atinja o rendimento da criança em suas atividades, e para que ela não fique irritada ou chorando constantemente, é fundamental que os pais identifiquem o problema e transmitam, em primeiro lugar, seu apoio afetivo. O próximo passo é procurar tratamento especializado, para que o estresse não se desenvolva em depressão.
fonte: trabalhinhos.blogspot.com

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A INFLUÊNCIA DO ESPAÇO NA EDUCAÇÃO INFANTIL



A estrutura física e a organização do espaço escolar são os primeiros elementos que auxiliam o visitante a formar uma opinião a respeito da política pedagógica da escola. Conceitos como modernidade, tradicionalismo, conservadorismo e religiosidade também são evidentes na imagem visual da instituição. A higiene e profilaxia da escola, o estado dos muros, paredes e grades, são elementos que assinalam ao transeunte o desvelo e a importância que os gestores e corpo docente dedicam à instituição. De acordo com Dayrell
  • A arquitetura e a ocupação do espaço físico não são neutras. Desde a forma de construção até a localização dos espaços, tudo é delimitado formalmente, segundo princípios racionais que expressam uma expectativa de comportamento de seus usuários (...). O espaço arquitetônico da escola expressa uma determinada concepção educativa. (1996, p. 147)
Assim, o espaço físico, definição que substituiremos por espaço-ambiente de aprendizagem, interage com o educar no processo de ensino-aprendizagem. O espaço interno, não deixa de causar maior impressão àqueles que adentram as portas da instituição ou as salas de aprendizagem. Os cartazes e painéis de atividades dos alunos afixados na parede, tão comuns nas instituições de ensino, são extraordinários megafones que gritam ressonantes a concepção de criatividade e autonomia que a escola propicia aos educandos. Este, provavelmente, é o conceito expresso por Malaguzzi ao afirmar a respeito da organização dos espaços da escola deReggio Emilia que “as paredes de nossas pré-escolas falam e documentam” (Apud GANDINI, 1996, p. 155).
Mas o que se entende por “espaço escolar”? Por meio esta expressão compreendemos um ambiente de convivência em que se desenvolvem todas as relações entre o corpo docente e discente, gestores, pais e toda a equipe técnica da instituição. Segundo o quadro a seguir, este espaço pode ser:

Quadro 1 - Qualidade do espaço físico
Positivo
Negativo
Criativo e acolhedor
Monótono e desagregador
Provocador de estímulos visuais e cognitivos
Sem qualquer estímulo visual e cognitivo
Vívido e organizado
Indiferente e desorganizado

O espaço escolar como elemento pedagógico deve refletir a política pedagógica, a filosofia, as concepções de educação e as práticas escolares apropriadas às diferentes idades e níveis de desenvolvimento. 
Mas infelizmente, algumas escolas estão longe desse ideal. O espaço escolar como a área física interna e externa ocupada pela escola, distingui-se, em nossa particular interpretação, do espaço-ambiente de aprendizagem. Podemos afirmar que todo espaço-ambiente de aprendizagem integra a concepção de espaço-escolar ou área física, mas nem todo espaço-escolar é um ambiente de aprendizagem integral. Uma sala de aula pode ser nada mais do que um aglomerado de cadeiras à espera de ocupação. Todavia, um espaço-ambiente de aprendizagem educa pelo olhar, pelos variados estímulos que provocam à curiosidade da criança ou do educando.
Um espaço pode ainda ser definido como uma extensão tridimensional ilimitada, neutro, até mesmo incongruente com os objetivos educacionais. É impessoal. O ambiente, no entanto, transcende ao conceito de espaço; é tudo aquilo que cerca os seres vivos. É dinâmico, vivo, criativo, provocador, estimulante. A linguagem do espaço-escolar é monossêmica, entretanto, do espaço-ambiente de aprendizagem, polissêmica.
Toda sala de aula apresenta um conceito, cuja importância do aluno em algumas delas é apenas secundário. Embora alguns espaços sejam amplos, estão longe da fala de Filippne que aponta o espaço físico, aqui, espaço-ambiente de aprendizagem, “como um ‘container’ que favorece a interação social, a exploração e a aprendizagem” (Apud GANDINI, 1996, p.147). Ela considera o espaço como recurso metodológico, carregado de “conteúdo” educacional que estimule a experiência e a aprendizagem construtiva da criança (veja o vídeo).
Produzido pela TV Escola - E.M.E.I. D.Pedro I - SP
Lembro-me, por ocasião de uma de minhas visitas em escolas de educação infantil, de certa sala de aula que não possuía qualquer estímulo para o aprendizado do alunato. A cortina com temas da Disney impedia que se usasse a parede como elemento instigador da aprendizagem. Um quadro de pregas, estava atrás da mesa da professora, sem que fosse possível identificar o propósito fundante de tal elemento. A sala era própria para proteger da chuva e do sol, mas não da monotonia, da regularidade, do desânimo. Afirma Malaguzzi (1996), entretanto, que o espaço deve ser uma espécie de aquário que espelhe as idéias, os valores, as atitudes e a cultura das pessoas que vivem nele.
Um espaço gélido, como o anteriormente descrito, além da falta de estímulos para uma educação emancipadora, não respeita a criança como sujeito de direito, além de demonstrar o perfil educacional da escola e a desconsideração que possuem pelas suas crianças. Em última instância, reflete o programa educacional adultocêntrico. O banheiro, por exemplo, é este, sem dúvida, um espaço marginal e lúgubre dentro da escola, completamente inadequado para as crianças. Enquanto, na verdade, deveriam ser mais um espaço para estimular a aprendizagem por meio de múltiplos recursos tais como:
  • O uso de espelhos em diferentes formatos para que as crianças brinquem e aprendam com suas imagens em diversos ângulos;
  • Identificações alegres dos sanitários destinados ao uso feminino e masculino;
  • Mensagens de estímulos à higienização das mãos, do espaço como elemento saudável da rotina escolar, entre outros.
Temos ao contrário, quando ao menos se procura adaptar um banheiro, espaços com lavabos que mais parecem mictórios e, o pior, em condições precárias. Ambiente repugnante.
Socorramo-nos com as palavras de Greenmann que, a respeito da concepção do espaço e do ambiente, afirma
  • Um ambiente é um sistema vivo, em transformação. Mais do que espaço físico, inclui o modo como o tempo é estruturado e os papéis que devemos exercer, condicionando o modo como nos sentimos, pensamos e nos comportamos, e afetando dramaticamente a qualidade de nossas vidas. O ambiente funciona contra ou a nosso favor, enquanto conduzimos a nossa vida (Apud. GANDINI, 1996, p.157).
Portanto, como é possível a inserção da criança em um espaço escolar que não a respeita como pessoa de direito? Oliveira afirma que
  • Para alguns professores, a qualidade do ambiente na creche ou pré-escola diz respeito apenas a suas características psicofísicas e/ou higiênicas: arejamento, iluminação, conforto, número de crianças por metro quadrado, relação existente entre mobiliário e equipamentos. No entanto, todo contexto ambiental é um sistema de inter-relações dos vários componentes físicos e humanos que dele participam (1994, p. 194).
Logo, o educador necessita educar o olhar a fim de avaliar criticamente o espaço físico para que este se torne em múltiplos espaços de aprendizagem.
FONTE: http://educarvivereaprender.blogspot.com


 
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